domingo, 30 de setembro de 2012

malobêm : querer

todo espalmar
tem gorda intenção de
água
refulgea
vidro areia
em cavalares afogamentos

tratado sobre o barro

comer do chão
cardumes de tetas
colher dos vãos
cordames
coroas
cornetas
cometas de
fome

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

(des)aforismos II

toda criança é um bugre selvagem beijando a testa de deus

.

envelhecer é naufragar

.

felicidade é reinar sobre seus monstros com mãos de vento

terça-feira, 25 de setembro de 2012

(des)aforismos

O fotógrafo é um homem nu entre barreiras d'água

.

Café da manhã de poeta é céu azul e andorinha morta

.

A atriz quando gagueja, gagueja deus.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

domingo, 23 de setembro de 2012

A Manoel

ninguém me convence
que o poeta do chão
não tenha nascido derramado
ou então
seria o céu enrodilhado que
arde arde
entre seus dedos de tarde?

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Sonho vigésimo

Sonhei de você uma anti-poesia. Me fazia pelo menos vinte instruções de como crescer verdadeiramente, rearranjar nos mapas o meu amor feito um carregador de balões de hélio. Te confesso que ri, ainda mais quando supôs que eu estaria amassando os papéis "a essas palavras amassadas junta o resto todo, tudo o que aqui vai são Hiroshimas e convencimento". Mas logo eu? Li Nietszche aos quinze, caminhei e caminho rente a paredões de pedra de quatrocentos metros, serpenteio nas bordas dos meus olhos e quase, quase caio em mim. Me equilibro nos sorrisos que mastigo, nos verbos que me recontam. Mas ri ainda mais porque noventa porcento do alemão é pura besteira juvenil. Percebi então suas pernas se movimentando, o espírito tentando o parto, suas mãos rompendo a placenta do mundo. Te olhei do outro canto do labirinto (talvez mais perto do centro, talvez mais perto da saída) e quis te beijar os olhos e os calcanhares. Te vi mudada, me negando, mas, na minha mórbida crença de beleza ascendente, te vi melhor e mais próxima.
Ri outra vez e, entre pedra e água, te invejei: nunca consegui fazer um troço daqueles. Mas acordei em outra cidade e você calada num álbum de retratos tentava nascer as palavras que te engravidei, feito um aborígene lecionando genética. E Hiroshima afundava.

sábado, 8 de setembro de 2012

domingo

Hoje amanheceu mormaço
Dia-mormacento
Mormaço-tempo
Subi subúrbios nos olhos
Para ser pedraforismo
Recolher em mim
O sentido do mundo
Mundo-lento
Mas não não
Não
Da última curva crescem fumaças
Mordida a montanha
De dentes pardos
Cor-consentimento
Pós-madurez
E num canto qualquer dizem
Meu nome
Que a montanha rebate
Doce
Água
T'esconjuros
Vento
O dia-mormaço acorda
Balança as árvores e canta:
"Pequeno, levanta,
Te vivem"

----x----

Agora eu eramos além
Ali ou mais
Dia-tempo
Iguais

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Musiquinha de amor novo

Não sei se por me visitarem fantasmas não convidados andei pensando em palavras soltas. Muito provavelmente ligações que meu cérebro me sussurra com piscadelas nada sutis. Pensei em Andirá, morcego, andei a escrever. Talvez pelos encontros com o silêncio das cavernas de Ibitipoca, talvez por outras razões muito mais óbvias que obviedade do mundo duro.



Andirá

Andirá
Chupar em
Turbilhões
Galões e litros
De guarir constelação
De decepar
Ser par, cerzir
E serenar
Olhares Piares Tonares Palmares
Saída nascida
Muita luz que há
Por se-te atravessar