vago
desvago
descubro o que é ainda sombra
silêncio
escuto
escuta
eclodiram em mim os ovos
de uma guerra civil
sou todo baionetas
e avanços e recuos
reconta o calor dos corpos
só deles trato
e destrato - os renascidos -
cá dentro
há um reino
em brasas
pronto pra marcar os homens
à altura do peito
estou doente de força
fraco de força
desmoronado inteiro de força
como um elefante de guerra
que ama
doidamente
doída-mente
as flores que pisoteia
enquanto passa
e trança
traça
destraça
nega!
destroça
as iluminuras artificiais
nega!
estraçalha
nega!
o negro falso dessa noite eterna
em que nos enfiaram
no meu coração
espreitam insones
cem mil milhões
de gigatons
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
agora parece dos dias tomarem
essa textura de
fúria
e suor
como se donas de casas
porteiros
marginais
poetas
débeis mentais
ganhassem de súbito
uma capacidade desmedida de
nascer do sol
uma flor intacta
de luz
e barbárie
como se todos os cães
todos os brutos
todos os sujos
de repente se levantassem do chão
das margens da avenida brasil
dos cubículos divididos com ratos
nas zonas podres do rio de janeiro
vomitada pelas frestas das ruínas
a humanidade inteira
como se o verde violento das árvores
exigisse trombas d'águas
dilúvios
uma tsunami
uma chernobyl
uma cólera
chega
como uma doença
chega
como um exército
de loucos
o verão
essa textura de
fúria
e suor
como se donas de casas
porteiros
marginais
poetas
débeis mentais
ganhassem de súbito
uma capacidade desmedida de
nascer do sol
uma flor intacta
de luz
e barbárie
como se todos os cães
todos os brutos
todos os sujos
de repente se levantassem do chão
das margens da avenida brasil
dos cubículos divididos com ratos
nas zonas podres do rio de janeiro
vomitada pelas frestas das ruínas
a humanidade inteira
como se o verde violento das árvores
exigisse trombas d'águas
dilúvios
uma tsunami
uma chernobyl
uma cólera
chega
como uma doença
chega
como um exército
de loucos
o verão
domingo, 8 de dezembro de 2013
Espero dos meus irmãos de tempo não menos que o extraordinário.
Essa latência Raskolnikoviana, essa urgência profética de ser o que Vem no Hoje.
Porque não. Não, Onneti, o extraordinário não se perde por mais que seja característica
pouco democrática, é certo, mas o espanto é matéria explosiva e o que fazemos é
tão somente correr o pavio. Lambidos de fogo. Restando no mundo em carvão e
petróleo e lendas. Sendo, sendo, sendo até queimar. Até chegarmos no
inevitável.
Saber a morte é a maior invenção do homem. É sua poética definitiva.
Sua potência. Não há deus que não tenha nascido da morte. Nosso sagrado é essa
constante de sermos corpos presentes carregados de tempos outros. Dentre eles o
impossível de onde viemos e para onde vamos. Esse jogo hermético de brotar do
acaso, no meio da vastidão dos corpos, pra sermos lançados na imensidão do não-corpo. Porque o fim do navegante não é a terra, mas aquilo que nele enferruja entre a superfície e o submerso. Essa dialética de visitarmos o
inverso enquanto indivíduos presentes. O habitat. Realidade imediata
de nome de cotidiano. Ou tempo. Solidão. Esse espaço de entendimento entre
asnos e jegues que se olham perdidos no caminho. Exaustos. Mas se olham e se
compreendem em sua ignorância.
E apesar de tudo o fogo segue premente. Ou mais. Arde mais,
Onetti. O fogo nos consome a todos na inevitabilidade de sermos atores da
língua, da formação da consciência, senhores de um pedaço amorfo de terra que
ora se expande ora se contrai e que dia mais, dia menos, ruirá. E ainda assim
erguemos castelos de gelo!
Não me interessam os homens que se separam entre joio e
trigo. Esses sim, Onetti, não estão preparados para a explosão final, pras
toneladas de hiroshimas que carregamos no peito e nos lábios. Mas não meus irmãos
de tempo. Eles redescobriram o fogo. Elas. Queimam-se agora como coquetéis
molotov à espera da quebra, do espalhar-se em chamas. Já vivenciamos a morte.
Chegou a hora de outra poética. Nossa missão é queimar a língua do mundo. Queimar
a língua do mundo, Onetti!!terça-feira, 3 de dezembro de 2013
pequena do 6º andar
pequena
que carrega verbo e tinta
debaixo do braço
como quem guarda o mundo
o mais pertinho
o mais dentrinho do peito -
ou do baú de tesouros
que guardamos dentro do peito -
ver-te crescendo
germinando
ramalhetecendo, pequena,
nessas dualidades nossas
tão nossas
tão imensas, pequena
é ser-te, pequena
e o maior mesmo
é escolher o que de ti é mundo
a tua porção mais trágica
não essa versão de mares impossíveis
mas aquela que você sabidamente chamou de
dançarina monstro
mesmo tendo tu separado tuas formas por uma
linha
fininha fininha
de quase o caderno não dar bola
eu ainda
muito cruel ainda
e muito sem maldade, pequena
te neguei o oceâno
ainda
escolhia o universo
três mil vezes
o universo,
pequena,
não os mares
porque o Atlântico dói
e sereia, se canta,
também sereia se engasga
enquanto esses pés, pequena trágica,
essa condição de sermos bailarinos,
monstros de sapatilhas,
permite sapatear no mundo
o mundo
o mundo inteiro
furiosamente
do escuro do teu 6º andar
até ao amor
pequena,
se pudesse te dizer
que até o amor
existe
e principalmente
existe o amor pra cima
- pra cima! -
então esse elevador jamais chegaria
onde você pra sempre
saiu
e nem eu me afogaria
nesse resto de água
onde minha língua
como um rabo de peixe
se retorce -
mítico monstro encalhado -
esperando desesperadamente
o dilúvio
que carrega verbo e tinta
debaixo do braço
como quem guarda o mundo
o mais pertinho
o mais dentrinho do peito -
ou do baú de tesouros
que guardamos dentro do peito -
ver-te crescendo
germinando
ramalhetecendo, pequena,
nessas dualidades nossas
tão nossas
tão imensas, pequena
é ser-te, pequena
e o maior mesmo
é escolher o que de ti é mundo
a tua porção mais trágica
não essa versão de mares impossíveis
mas aquela que você sabidamente chamou de
dançarina monstro
mesmo tendo tu separado tuas formas por uma
linha
fininha fininha
de quase o caderno não dar bola
eu ainda
muito cruel ainda
e muito sem maldade, pequena
te neguei o oceâno
ainda
escolhia o universo
três mil vezes
o universo,
pequena,
não os mares
porque o Atlântico dói
e sereia, se canta,
também sereia se engasga
enquanto esses pés, pequena trágica,
essa condição de sermos bailarinos,
monstros de sapatilhas,
permite sapatear no mundo
o mundo
o mundo inteiro
furiosamente
do escuro do teu 6º andar
até ao amor
pequena,
se pudesse te dizer
que até o amor
existe
e principalmente
existe o amor pra cima
- pra cima! -
então esse elevador jamais chegaria
onde você pra sempre
saiu
e nem eu me afogaria
nesse resto de água
onde minha língua
como um rabo de peixe
se retorce -
mítico monstro encalhado -
esperando desesperadamente
o dilúvio
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