te
ver
e re
ver-
te
ves
te
as ves
tes do osso
de compassos
e terremotos
repara
tento
re
ter-
te
mas parte tua
me re
ver
te
em resto e
justo
eu vasto
justo
eu teso
justo
eu réstia
justo
eu fato
morro feto
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
(re) vértebra nº1
uma sola de esterco e lendas
sapateado de andaimes
estouros no telencéfalo
e nas boiadas
manada aflita e desesperada
procissões
romarias
enxurradas
de elefantes
ou não
ou nem mesmo elefantes
nem coisa alguma dotada de
trovões e
sussurros
nem mesmo as ogivas guiadas à distância
as fantasias, os warming filters
os corpos pregados a abstrações geométricas
cruzes
luas
cascos
nada
poderia arrancar os dedos e salivas
que essa Crassostrea gigas
finca na pedra
entre polvilhos e bronzeadores
sapateado de andaimes
estouros no telencéfalo
e nas boiadas
manada aflita e desesperada
procissões
romarias
enxurradas
de elefantes
ou não
ou nem mesmo elefantes
nem coisa alguma dotada de
trovões e
sussurros
nem mesmo as ogivas guiadas à distância
as fantasias, os warming filters
os corpos pregados a abstrações geométricas
cruzes
luas
cascos
nada
poderia arrancar os dedos e salivas
que essa Crassostrea gigas
finca na pedra
entre polvilhos e bronzeadores
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
do mestre XII
"Eu estava encostada naquela árvore
muito azul quase
e veio um raiozinho de sombra era
de tarde na minha boca
Ele me segurou entre os dedos.
Fiquei brilhante com meus cabelos
lavados...
Então dei um salto
muito leveza
muito
pro vento
e no bico de um sabiá eu fiquei
de ouro
a cantar
a cantar..."
M. B.
isso do enigma ter bom olfato
isso de fazer montaria no tempo
ainda há de nos atropelar
Afogar-se é inevitável na inerente desrazão de ser. Que faço entre coisas? Perguntam de São Luís. Eram luarais de eu ter olhos azuis, respondem de Cuiabá. Mas vem tanta luz das fendas que não sei se ilumina ou cega.
muito azul quase
e veio um raiozinho de sombra era
de tarde na minha boca
Ele me segurou entre os dedos.
Fiquei brilhante com meus cabelos
lavados...
Então dei um salto
muito leveza
muito
pro vento
e no bico de um sabiá eu fiquei
de ouro
a cantar
a cantar..."
M. B.
isso do enigma ter bom olfato
isso de fazer montaria no tempo
ainda há de nos atropelar
Afogar-se é inevitável na inerente desrazão de ser. Que faço entre coisas? Perguntam de São Luís. Eram luarais de eu ter olhos azuis, respondem de Cuiabá. Mas vem tanta luz das fendas que não sei se ilumina ou cega.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
candeia sem número
Homem de terno e cabelos ralos sorri para canetas e papéis dispostos sobre uma bancada. Outros dois homens de terno escutam as máquinas refrigerando o silêncio da sala. vrom-vrom-vrom-vrom-vrom... Homem de cabelos ralos estala a língua e esfrega as mãos, mas as máquinas trabalham pesado. Num telão de dois por três metros vários outros homens correm em um campo gramado. Eles se diferem pelo uniforme. Nenhum usa terno. No gramado dois homens vestindo camisas diferentes um do outro começam uma briga. O homem de uniforme branco acerta um golpe no homem de uniforme verde. No telão, as imagens mudam vertiginosamente. Um muro desaba. Homens de branco e homens de verde ganham o gramado. Homens fardados entram no campo. Homens fardados disferem golpes com bastões nos homens uniformizados. Homens fardados carregam cães nas coleiras. Homens fardados riem dos homens que sangram.
O homem de terno e cabelos ralos derruba as canetas da bancada e pondera como pode haver tanta violência numa sociedade tão organizada. Os outros dois de terno tossem e chacoalham os ombros. As máquinas trabalham pesado. vrom-vrom-vrom-vrom-vrom...
O homem de terno e cabelos ralos derruba as canetas da bancada e pondera como pode haver tanta violência numa sociedade tão organizada. Os outros dois de terno tossem e chacoalham os ombros. As máquinas trabalham pesado. vrom-vrom-vrom-vrom-vrom...
sábado, 2 de fevereiro de 2013
carta pra ninguém
Sabe, filha, essa mania tua de pintar paredes com rolo compressores ainda há de se tornar remédio. Entre tanto palácio e palafita sou para fins exploratórios. Cê me mete num tubo de ensaio e eu refrato silêncio como quem diz:
"Que decidiram teus olhos, filha? Sou réstia ou sombra?"
Gosto mesmo é de vácuo qualquer que te maquia a queda e desorienta. Que tanto de susto é esse no olho? Confesso que é com maldade o que te desenho com os dedos enquanto cê me sorri dentes de espera. E que mais fazer? Espera de acabar o túnel, espera de bala perdida, de transeuntes lentos. Espera de velhinhas e seus guarda-chuvas, de pedintes, homens-bomba, messias, putas. Por sorte o túnel demora o bastante pra me rir.
O que me adoça são tuas costas tatuadas do que me transborda:
"Se te mordo o sempre, você nunca?"
E o túnel tarda.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
diário de bordo nº1
parece mesmo uma persiana elétrica. meu nariz descascando deve ser oferenda natural do processo. essa vastidão de pele que se enruga com um ventinho, com um sopro. fuuuu. nem convido o sol, mas ele se espalha e dança ao meu redor. será fome? o sol se sente só, imagino.
a gente descama é pra ser banquete. é um payback, sir. a banca ganha. toma lá três moedas sem valor. teu nome, teus objetos e teus tiques. recompensado?
me chamo tal tal e tal. não esqueço meu nome. tenho os pés cravados no vazio, molho a cabeça de vento, me refresco e ainda assim não esqueço meu nome. meu nome é isso isso e isso. sou calo, sou bravo. acho que sou. mas não, não raciocino mais. perdi o hábito. nem terra santa mais me permite ou roga. sei que me deram nome e me lembro das coisas. lembro do varal. lembro dos jornais molhados. lembro um pião, uma calcinha, um carro. lembro umas roupas sem tamanho. uma coceira, uma dor, umas flores nascendo, tampões de ouvido. sou todo labirinto sem chão nem teto. escapo de mim e não é por mal. tento voltar e me atravesso. vivo na cauda da ventania. já sem poeiras ou estragos. sou resquícios de inteligências. aprendimentos de muito andar.
escuto uma voz aqui e ali, gargarejam muito. poucos cospem água pra cima. querem molhar o céu um pouquinho, mas é só a vontade da bagunça. engraçado como sorrisos boiam como patos. terão asas? a maioria grita. me chamo tal e tal e tal. que pensam vocês das minhas tintas, oh cabeças e boias? e de mim? e de mim? sou meu corpo e o oceano inteiro! e eu não bato pernas, não senhores. sou brotado do centro da terra. sangro magma, pois sim. pusilânimes! será que o sol dança ao redor de todos?
estou molhado de sol. encharcado. se quero mijar, mijo sol. se espirro, espirro sol. pra chorar é sol. cuspo sol, bebo sol, lambo e bochecho sol. queria virar fonte de praça pública com o pau de fora. gozaria sol na cara de todos vocês. será que nasceriam asas?
a gente descama é pra ser banquete. é um payback, sir. a banca ganha. toma lá três moedas sem valor. teu nome, teus objetos e teus tiques. recompensado?
me chamo tal tal e tal. não esqueço meu nome. tenho os pés cravados no vazio, molho a cabeça de vento, me refresco e ainda assim não esqueço meu nome. meu nome é isso isso e isso. sou calo, sou bravo. acho que sou. mas não, não raciocino mais. perdi o hábito. nem terra santa mais me permite ou roga. sei que me deram nome e me lembro das coisas. lembro do varal. lembro dos jornais molhados. lembro um pião, uma calcinha, um carro. lembro umas roupas sem tamanho. uma coceira, uma dor, umas flores nascendo, tampões de ouvido. sou todo labirinto sem chão nem teto. escapo de mim e não é por mal. tento voltar e me atravesso. vivo na cauda da ventania. já sem poeiras ou estragos. sou resquícios de inteligências. aprendimentos de muito andar.
escuto uma voz aqui e ali, gargarejam muito. poucos cospem água pra cima. querem molhar o céu um pouquinho, mas é só a vontade da bagunça. engraçado como sorrisos boiam como patos. terão asas? a maioria grita. me chamo tal e tal e tal. que pensam vocês das minhas tintas, oh cabeças e boias? e de mim? e de mim? sou meu corpo e o oceano inteiro! e eu não bato pernas, não senhores. sou brotado do centro da terra. sangro magma, pois sim. pusilânimes! será que o sol dança ao redor de todos?
estou molhado de sol. encharcado. se quero mijar, mijo sol. se espirro, espirro sol. pra chorar é sol. cuspo sol, bebo sol, lambo e bochecho sol. queria virar fonte de praça pública com o pau de fora. gozaria sol na cara de todos vocês. será que nasceriam asas?
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