quinta-feira, 3 de setembro de 2015

domingo, 9 de agosto de 2015

permanência

as ligas de metal
os nomes das fábricas
a lâmina da  faca
que se quebra

tudo

meu filho
meu colisor de partículas
meu acaso genético
meu encontro

tudo envelhece

minha pele
meu pulmão
meu sorriso
envelhecem

todos

o nada
é para sempre

domingo, 12 de julho de 2015

como por exemplo
aquelas que rumam ao oco
atrás das moitas                                                                                            
as mais afoitas
são o
mundo
dançando
a valsa iluminada do potlatch

toda poeira é um pedaço de bicho
um pedaço de guerra
um pedaço de núvem
que se contorce em máquina
que se entorta e entrecorta
a tessitura dos dias
são restos de sonhos
e descontroles

quando amanhece sono
quando entardece a rua
quando anoitece acendo

meus olhos têm a cor do fogo
como brilhantes de pólvora
meu corpo é feito de canários
e do sorriso de Isabel

terça-feira, 30 de junho de 2015

Com Joaquim na rede

de ponta cabeça descubro
a musculatura do dia
tem a cor do teu sorriso
e que em teus olhos passeiam
núvens
e cometas resmungando
azul azul azul
tão táctil
o ranger do éter
no fotograma
nos véus e cílios
que rompem e despontam e entendes
espantado:
andamos cheios
de amor