sexta-feira, 16 de maio de 2014

um pé na frente, dez atrás

cara senhora tentacular,
quem te ensinou
esse embolar de pernas
que te leva,
invariável,
a lugar nenhum?

porque pé na frente
porque outros atrás
não trança ninho

e tamanha flexibilidade,
embora não ainda,
um dia finda

é então, tentacular senhora,
quando desfeito o arreio,
que quebra-te tu ao meio
ou quebras tu o caminho

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Saravana

bastava um dente de leão
morder a circulação do vento
para me derramar em ti
para me preencher em ti:
hálito, hábitos, baixo ventre

enquanto a permanência
antes de mais nada
exige uma arcada
ou uma legião
de dentes
de leão

terça-feira, 13 de maio de 2014

a tecitura do chão

era inevitável gostar
de você
daqui onde me alinho
à liquidez da corda bamba
inevitável te querer
quando te ouvia
que não fazia mal
não, não fazia mal
que dia mais
dia menos
poderíamos cair sem medo
dentro do silêncio
que dia mais
dia menos
os elefantes tombariam
todos
todos
todos
mortos de sede

estar ou não estar

estarmos aqui,
macacos,
é subirmos
galho a galho
um primeiro mais grosso
um segundo nem tão grosso
um terceiro menos grosso que o segundo
mas ainda firme
depois um mais fino que grosso
e outro mais fino que o mais fino que grosso
e mais acima os verdes
e então os moles
os pequeninos
galhinhos franzinos e logo
os frágeis
os frágeis
e os frágeis
e então
finalmente, macacos,
o chão

se você não vem

         vê
         vi
         ver
       é pular
   desesperadamente
        dentro
da fragilidade de um elevador
       quebrado