segunda-feira, 30 de junho de 2014

memo1

era ainda o cheiro de pitanga,
cachorros e demais confetes
esquecidos na terra
nas pedras
das serra
das minas gerais
onde banho nenhum vence frio
e toda madeira queimada
não é mais que o prazer
de ver na fogueira a banguela exposta
do fogo e sua presença inútil

sabíamos de antemão
estar a solução do gelo
entre o último gole no teu copo
e o momento em que te colocaria de quatro
para lamber teu grelo
e te comer
e te comer
e te comer até
prenha de brasa
a manhã ser
palpitava meu coração que primeiro a rolha e logo as pernas primeiro um gole e logo as pernas primeiro as pernas e logo logo nós dois de cara cheia de tanto fluido tanta fluidez cérebro com cérebro bacia com bacia espaço com não espaço e eu te preenchendo os vãos em vão palpitavam minhas mãos que você me escorria em resposta no chão daquele velho apartamento que invadíamos como gatos entre arranjos de silêncio e janelas semi-fechadas escondidos dos vizinhos mal suspeitando da placa de aluga-se e dos rangidos gemidos do eden reiventado mas não claro que não pois que mais uma vez meu coração esse eterno viciado palpitava burro no cavalo errado

terça-feira, 3 de junho de 2014

anda cheio de mim
estourando nas tuas margens
querendo te odiar
as curvaturas
a superfície fria de pedra
o mar
e
eu
meu eu
que perde e
recua
sobra
reavoluma
que cai exausto o medo e
eu
meu eu
tu
meu eu
nós
meu eu
que floresce
e floresce
e floresce

eu      tu      amor      maré
que cresce