que esse badulaque
quara a pele e não pode
é ciência recente
crescida dos cordames de amarrar carne
e referências bibliográficas
mas ando já
sabendo sem muita crença,
mas sabendo, enfim,
que não me alcança
a dança dos dados
nem razeia
nem suspende
mas atravessa e
guarda dois dedos de prosa
brotados do último giro
entre um palácio que murcha
e um mofo que cresce
me diz assim:
que chato ocê, descascador de batatas
que horas planta nisso que
é terreno mais sem minhoca!
ai boca sem corte nem fenda
nem fundo
cadê faca de escorrer silêncio?
dói muito a pintura de cal?
quem foi o malvado que comeu seus olhos?
que houve de manhã tão pouca?
cadê aquela enxurrada toda?
e suas frotas de casca e vento?
que é que há de ocê sem asas,
nem coices
nem espirais espadas escadas?
que sonho mastiga esses calos
inúteis
inúteis
inúteis,
descascador de batatas?
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
O fundo
vê esse canto de fenda?
esse escorrer de passagem
encerramento de abrigos e matadouros
percebe o sol pequeno, tímido?
a manhã que pondera se nasce ou passa
ou perde-se
entre dois filetes de candura e medo
que chamam boca
e é onde os cavalos trotam?
vê as ranhuras dos dedos?
as unhas guardando terrenos
territórios de outras gentes e
beijos pólvoras certidões de compra
e lendas
vê esse ensinamento de água?
cores de fantasmas e ventos
matéria de médiuns
ou loucos
ou
esse canto de casa
vê o tijolo caído?
enferrujando as rendas
e os cheiros de café e manteiga
vê o tempo sentado
curvado numa trincheira em guernica
ou nas favelas colombianas?
viu como balança as pernas?
viu os dentes amarelados
sem saliva nem brilho?
leu os labios rachados?
perguntam:
pra que esquentar gelo?
em quem planto meus pés?
quem há de comer tanto amor?
mas essa cabeça tombada
que lambe o mundo pra beirada da cama
essa medusa que entorta a luz
e cria flores
só cospe enigmas
vê?
esse escorrer de passagem
encerramento de abrigos e matadouros
percebe o sol pequeno, tímido?
a manhã que pondera se nasce ou passa
ou perde-se
entre dois filetes de candura e medo
que chamam boca
e é onde os cavalos trotam?
vê as ranhuras dos dedos?
as unhas guardando terrenos
territórios de outras gentes e
beijos pólvoras certidões de compra
e lendas
vê esse ensinamento de água?
cores de fantasmas e ventos
matéria de médiuns
ou loucos
ou
esse canto de casa
vê o tijolo caído?
enferrujando as rendas
e os cheiros de café e manteiga
vê o tempo sentado
curvado numa trincheira em guernica
ou nas favelas colombianas?
viu como balança as pernas?
viu os dentes amarelados
sem saliva nem brilho?
leu os labios rachados?
perguntam:
pra que esquentar gelo?
em quem planto meus pés?
quem há de comer tanto amor?
mas essa cabeça tombada
que lambe o mundo pra beirada da cama
essa medusa que entorta a luz
e cria flores
só cospe enigmas
vê?
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
elementar, minha cara
foi-se tudo
tudo que é bile e asco
que é zelo e apego
as cores de inverno
teus cílios
tuas meias pelo chão
foram-se elásticos de cabelo
fios de cabelo
teias de cabelo
xampus escovas repentes
mastigares
quimeras
dentes
o cuidado se foi
(meu coração não)
foram-se os risos
as festas na orelha
as rimas escondidas
as palavras sob as unhas
os enredos
os entre-dedos
foi-se a tristeza
a quilometragem
o baile dos cheiros
o formato da cama
a calma
a dor
a chama
a flor gastou-se
(meu coração não)
e todo verbo de guerra
foi-se o que não era
nem cinza
nem semente
e se te vejo clara
entre marcas raras
o que sobrou é
evidente
tudo que é bile e asco
que é zelo e apego
as cores de inverno
teus cílios
tuas meias pelo chão
foram-se elásticos de cabelo
fios de cabelo
teias de cabelo
xampus escovas repentes
mastigares
quimeras
dentes
o cuidado se foi
(meu coração não)
foram-se os risos
as festas na orelha
as rimas escondidas
as palavras sob as unhas
os enredos
os entre-dedos
foi-se a tristeza
a quilometragem
o baile dos cheiros
o formato da cama
a calma
a dor
a chama
a flor gastou-se
(meu coração não)
e todo verbo de guerra
foi-se o que não era
nem cinza
nem semente
e se te vejo clara
entre marcas raras
o que sobrou é
evidente
é pouco
o que fui é sopro
casa de traça
cabaça
rotas de gastrite e encanto
espasmos de campo
dominó
ânsia de cesto
de treliças firmes
é concreto e viga
amor eterno
em vãos de terra seca
em chão de gente morta
montanha em broto
o que fui é porta
é pouco
casa de traça
cabaça
rotas de gastrite e encanto
espasmos de campo
dominó
ânsia de cesto
de treliças firmes
é concreto e viga
amor eterno
em vãos de terra seca
em chão de gente morta
montanha em broto
restolho de cêpa
o que fui é cedo
é soproo que fui é porta
é pouco
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
esse sentimento mal gerado que me engravida
seria de doer
se dor fosse
se corpo houvesse
se tendões tendessem ao repuxo
sem mais
sem menos
sempre ao acaso
teria cabimento
se de conteúdo tratasse
se pálpebras velassem vales
de adorações
altares
maracujás
duas grandes cumbucas de violas mansas
e amores justos
e sorrisos sem esquecimento
nem amarelos
seria de amargar
não fosse o latim dormente
desacordado
não fosse o coma da língua
não fossem os dentes moles
de catar frestas e cigarros perdidos
de colecionar distâncias
de medir lábios e
rejeitos riachos rodovias
a lugar nenhum
seria mesmo de doer
se dor fosse
mas é só o enjôo
de outro calendário virgem
se dor fosse
se corpo houvesse
se tendões tendessem ao repuxo
sem mais
sem menos
sempre ao acaso
teria cabimento
se de conteúdo tratasse
se pálpebras velassem vales
de adorações
altares
maracujás
duas grandes cumbucas de violas mansas
e amores justos
e sorrisos sem esquecimento
nem amarelos
seria de amargar
não fosse o latim dormente
desacordado
não fosse o coma da língua
não fossem os dentes moles
de catar frestas e cigarros perdidos
de colecionar distâncias
de medir lábios e
rejeitos riachos rodovias
a lugar nenhum
seria mesmo de doer
se dor fosse
mas é só o enjôo
de outro calendário virgem
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