sábado, 30 de novembro de 2013

sassamidices

caibo no que me percebo
não só nos ossos
e arcada dentária
mas nessa supercategoria identitária
que se veste por capricho
                 e saudades de
  nomes
        doenças
                 navios enferrujados

    e além
    me percebe
    quem me
          transcende

          e   i   s
              :
    s u p e r p o t ê n c i a

de desejo e movimento
          e luz
          de onde venho
                         e desapareço
          como desaparecem as lagartixas
          por entre as telhas e fendas da parede
          por entre os desvios da casa
                             e do sono
          como se a cada vão descoberto
          chegasse
          cada vez mais
               perto
               perto
               certo
               certo de que sou
           desperto quando e somente quando

o amor

           desperta

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

contingente:
encontro de rios,
destacamento de retinas
                                                                   æ
                                                                 MAR
                                                           HæRMæTæco!
pasto
semeado de
ocêanos
                                                                  æ
                                                                terno!
: o mundo
atravessado
brilha em brasa
em fúria
                                                                  æ!
                                                              menina,
                                                        amor amor amor
                                                                  æ
                                                            hiroshima!

sábado, 23 de novembro de 2013

sta minguante

    mais marca a terra
   o peso do gafanhoto
 que um tanque de guerra

dos caminhos zen: a lavra. fazer da materialidade da língua (lamber o que dela é água - maciça ou míngua) o tao, o , a estrada do lume, o estrume, perfume bash-barr-tolst-bud-franciscano. andar sem beira e verborrar no chão do chão palavra - ser do meio ceia. dos caminhos zen: a lavra.

51º bashô brasileiro

Furu ike ya
Kawasu tobikomu
Mizu no oto

       Bashô

O mestre buscou do santo a (con)sisudez. Paulo, discípulo contemporâneo (em carne) nosso e (em brilho) de Bashô, manteve o simples enquanto matéria fundamental. Prevalece aí a imagem prenhe de significados:

    Velha lagoa
O    sapo    salta
    o som da água

        Leminski


Mas falta. Algo falta. Algos. Uma multiplicidade mais declarada falta. Como trazer as infinitudes simbólicas do extremo oriente, terra de filósofos-terra e arte-zen-ato, para a dura retitude ocidental? Nem deus podemos mais de um. E lá tudo é a junção de três em mais. Lá um é muitos.

o velho é também dureza, cristal do tempo, quebranto estático.
o lago é poça e forma.
a rã: um inseto barulhento.
o voar é, não só o ato, mas o trespassar-se em coisas, o penetrar, enfiar-se no.
ruido: o impedimento de palavra e boca.

por mestre o segundo, mas buscando no redor o que o primeiro olhou-ouviu-iluminou, tento :


    velhadura de lago
uma râ        transvôa
    boca d'água, chiado

        Galva


O duro do já-dado é atravessado pelo acaso. Por um momento abriu-se a boca do mundo. Chiou-se o tempo. Chiamos todos.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

janeiro

janeiro, 2014, margens convulsas da roma carioca:

faz-se extremamente necessário usar o sol
de camisa
de forceps
como uma veste que protege do frio
                           de dentro
feito um bombardeio em um bairro isolado
                    na coreia, no zimbábue, no japão,
                    na nação bantu, no complexo do alemão
                    no último canto das casas das mães
                    de todas as canções
                    destroçadas pela força bruta
                    da ignorância da ignominia
                    do mal do mal do maligno do mal signo
como uma chuva de napalm
na altura do peito
por entre as costelas e os ligamentos
de gordura e gelatina
por entre os espaços
e por entre o vazio dos espaços
é preciso ter por facho
um calor de bicho
e água
é preciso a mágoa cheirar a carne curtida
e ter por fim por muito por lida
brutalmente inaugurado
o verão
ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser ser

SER

TÃO

até queimar

terça-feira, 5 de novembro de 2013