antes
de pousar
a coisa de asas abertas de olhos
esbugalhados
a flácida coisa sem poros
brotando no torto
na bunda de um inseto
nascente do reto
dos pilares de mármore
dos restolhos de cobre e sinapses e
estações lunares
antes
especialmente
antes
ciscava a coisa vastidões
de promessa
agora a mão espalmada em veias e labirintos
era sem caber a coisa
era sem cabimento sem
carimbo ou verbo
ou braços
nem colchões quarando línguas de sol e gelos e teleféricos rotos
agora era a mão torta como nossos corpos bichos sem razão
ou nem quando
e nem quase
ou como só de olhos e bocas tentamos guardar reservas de alturas
e tesouros
ou um punhado qualquer de luz
que, desentendíamos,
escasseava
e sem poder a coisa
pousar noutra sobra outro bocejo
arranjou de vir assim tão pesada
tão pra antes
apressada balançando as janelas
sugando pupilas em segredo
que foi me carregando de montanhas e ilhas e
explosões solares
fiquei irremediável
todinho perdido de insetos quando chove mijo ou fogo
e a coisa desorientada de garras
cravada no fundo no infinito nas horas
em fendas afogadas de palavras e verbos
e beijos
e que não levam a lugar
nem a quem
e a coisa e me gritar:
ninguém