e ódio
como quem domina o assunto
e é por ele dominado
e já atravessou esfinges
e mascou tijolos
e mascou tijolos
e afiou os dentes
e sobreviveu a infinitas entrevistas de emprego
e
alguém te olha
e te continua
poema
alguém te avança
e te dança
poema
alguém te rasga
e te engasga
poema
o poema-bailarino
corta o dia
como um liquidificador aberto
sofre ele de terremotos
pequenas mortes
e grand-pliés
parte da diferença de voltagem
para voltear
todo oco e margem
colhendo no bico
o que não cabe nos olhos
e se cansa mais
cedo do que tarde
e foge enfim o poema-ave
raro e grave
trinando infinito
acima e adentro
de quem furioso e calmo
o sussurava a grito