sábado, 23 de novembro de 2013

51º bashô brasileiro

Furu ike ya
Kawasu tobikomu
Mizu no oto

       Bashô

O mestre buscou do santo a (con)sisudez. Paulo, discípulo contemporâneo (em carne) nosso e (em brilho) de Bashô, manteve o simples enquanto matéria fundamental. Prevalece aí a imagem prenhe de significados:

    Velha lagoa
O    sapo    salta
    o som da água

        Leminski


Mas falta. Algo falta. Algos. Uma multiplicidade mais declarada falta. Como trazer as infinitudes simbólicas do extremo oriente, terra de filósofos-terra e arte-zen-ato, para a dura retitude ocidental? Nem deus podemos mais de um. E lá tudo é a junção de três em mais. Lá um é muitos.

o velho é também dureza, cristal do tempo, quebranto estático.
o lago é poça e forma.
a rã: um inseto barulhento.
o voar é, não só o ato, mas o trespassar-se em coisas, o penetrar, enfiar-se no.
ruido: o impedimento de palavra e boca.

por mestre o segundo, mas buscando no redor o que o primeiro olhou-ouviu-iluminou, tento :


    velhadura de lago
uma râ        transvôa
    boca d'água, chiado

        Galva


O duro do já-dado é atravessado pelo acaso. Por um momento abriu-se a boca do mundo. Chiou-se o tempo. Chiamos todos.

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