sábado, 2 de fevereiro de 2013
carta pra ninguém
Sabe, filha, essa mania tua de pintar paredes com rolo compressores ainda há de se tornar remédio. Entre tanto palácio e palafita sou para fins exploratórios. Cê me mete num tubo de ensaio e eu refrato silêncio como quem diz:
"Que decidiram teus olhos, filha? Sou réstia ou sombra?"
Gosto mesmo é de vácuo qualquer que te maquia a queda e desorienta. Que tanto de susto é esse no olho? Confesso que é com maldade o que te desenho com os dedos enquanto cê me sorri dentes de espera. E que mais fazer? Espera de acabar o túnel, espera de bala perdida, de transeuntes lentos. Espera de velhinhas e seus guarda-chuvas, de pedintes, homens-bomba, messias, putas. Por sorte o túnel demora o bastante pra me rir.
O que me adoça são tuas costas tatuadas do que me transborda:
"Se te mordo o sempre, você nunca?"
E o túnel tarda.
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