sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

diário de bordo nº1

parece mesmo uma persiana elétrica. meu nariz descascando deve ser oferenda natural do processo. essa vastidão de pele que se enruga com um ventinho, com um sopro. fuuuu. nem convido o sol, mas ele se espalha e dança ao meu redor. será fome? o sol se sente só, imagino.

a gente descama é pra ser banquete. é um payback, sir. a banca ganha. toma lá três moedas sem valor. teu nome, teus objetos e teus tiques. recompensado?

me chamo tal tal e tal. não esqueço meu nome. tenho os pés cravados no vazio, molho a cabeça de vento, me refresco e ainda assim não esqueço meu nome. meu nome é isso isso e isso. sou calo, sou bravo. acho que sou. mas não, não raciocino mais. perdi o hábito. nem terra santa mais me permite ou roga. sei que me deram nome e me lembro das coisas. lembro do varal. lembro dos jornais molhados. lembro um pião, uma calcinha, um carro. lembro umas roupas sem tamanho. uma coceira, uma dor, umas flores nascendo, tampões de ouvido. sou todo labirinto sem chão nem teto. escapo de mim e não é por mal. tento voltar e me atravesso. vivo na cauda da ventania. já sem poeiras ou estragos. sou resquícios de inteligências. aprendimentos de muito andar.

escuto uma voz aqui e ali, gargarejam muito. poucos cospem água pra cima. querem molhar o céu um pouquinho, mas é só a vontade da bagunça. engraçado como sorrisos boiam como patos. terão asas? a maioria grita. me chamo tal e tal e tal. que pensam vocês das minhas tintas, oh cabeças e boias? e de mim? e de mim? sou meu corpo e o oceano inteiro! e eu não bato pernas, não senhores. sou brotado do centro da terra. sangro magma, pois sim. pusilânimes! será que o sol dança ao redor de todos?

estou molhado de sol. encharcado. se quero mijar, mijo sol. se espirro, espirro sol. pra chorar é sol. cuspo sol, bebo sol, lambo e bochecho sol. queria virar fonte de praça pública com o pau de fora. gozaria sol na cara de todos vocês. será que nasceriam asas?

Nenhum comentário:

Postar um comentário