entretanto
a água passa
depois de esquecido o amor
no cesto de roupas sujas
nas fendas do assoalho
nas esquinas dos móveis
depois dos dedos contados
e recontados
num levantamento centopéico
das marcações
no couro
depois de trocado o ouro
por cachos de bananas
ou quinquilharias
nas trilhas finais das feiras
que é onde o resto floresce e aguarda
depois de dobrada a farda
e ferrada a fera
a água passa
e o campo
entre tantos
espreguiça
a primavera
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