domingo, 2 de junho de 2013

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escrevo das coisas do sem-nome
para isso uso de
avenidas rasgames talhuras
escaras
escuros
furos
furos
que por azar encontro
na barriga das palavras

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todo poeta nasce de um escrúpulo a menos. é da pálpebra a culpa do não-receio. tanto que acaba escorrendo o silêncio-adubo. inevitável. eis pois a revertebra dos adoecidos de língua, o que reverbera a mudez verborrágica.
readubo: pelo rasgado da boca e dos olhos. tanta coisa sobra e  foge, fode. digo muito e vazo e vagazo:

o que busco é esquecimento
no molhado das pedras
no abandonado das roupas
no crescido do nada

estou atravessado de palavras. poesia em mim é uma questão de princípios, não escrúpulos: o humano sensível (aquele que é quase trapo e é nisso graduado) há de ter um cachorro arregaçado de dentes dentro do corpo.

mas qual verbocoisa há de ser cio no vazio que umbigaram na gente?
hein????

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poesia é o que nasce
das vergonhas
das palavras

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