O gato no muro,
retrátil
há na linha do gato,
na curvatura de sua espinha,
a bruta mão do escuro
dois dedos de silêncio jogam jogos
de advinha, do ali futuro, do breve,
decidem os dedos
enquanto a curva do gato machuca de luz
o horizonte do muro
e tudo é prenúncio de túnicas e saias
nas costas do gato
está arqueada a coluna original
da anunciação
o gato está grávido para antes
grávido de promessas de ilhas
de messias submersos - como a linha dura do balão é ar e incêndio, arquitetura -
como um homem contém
um Homem e contém um Gato
quando se recolhe de trapos
e curvado espreita
o beijo antes do beijo,
com línguas de espera
e um mar de suspeita
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