no meio das pernas
está a chave mestra de todo o alardeio
atenção, prédios altos!
de seus joelhos e calcinhas escorre o verbo que
verdeja nas praças
nos trilhos de trem
nos galpões abandonados
e sobretudo faz verde sob travesseiros e jornais
vê bem, janela!
as putas, os poetas, as bichinhas adolescentes
santos praticantes do religamento
pela pálpebra
pelas raízes dos cabelos pelo zelo pelos vírus pelos vãos
pelo rabo
coube a eles o papel sacerdotal de contadores da divida inicial
vê só, homens,
o paraíso retocado
pela boca carregada
de latim chulo
de línguas no muro
de gazelas e flechas e cifras e fogo
dentes carregados de final
pois o apocalipse, herdeiros do pedestal,
o apocalipse é só uma bandeja de barro cozido
com suas cabeças e bolsos e bundas
entre maçãs podres e asfalto quente
o apocalipse, corpos gordos,
é preparado a golpes de navalha e balas perdidas
é o divino banquete de bucetas e escalpos e rolas
a devorância inerente
de putas, poetas e bichinhas adolescentes
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