terça-feira, 30 de outubro de 2012

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os urubus rodeando os prédios brindam a cidade de paz e silêncio. todas as cabeças dos homens rachadas de sol, fendadas de ventos, da cantoria muda dos urubus. é o doce caducar das folhas. vir do chão. voltar pro chão. essas verdades de carniça.
o arranjo é tão claro que já não incomoda o separar dos olhos. nem acalenta. nem diverte. nem mata. comedores de luz, comedores de peixe, comedores de lixo e eu sem fome. prenhe de nada. grávido de vazio. sem um mínimo traço de fome. talvez o chão seja ainda o único sabor que me chama. mas a língua já não pede nem brada. não treme. não espasma. só espera. espera. espera. o que acalma são os urubus rodeando os prédios.

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