baba enraivecido que não
que nem e
que nunca abstrações ou fábulas
reclamando pelo oco dos meus ouvidos
ouvidúteros deflorados num
mal-me-quer-bem-me-quer-não-qué-tem-quem-queira
choramingando descalabrado
que ser corpo cansa
esse corpossonso carcomido
de brutalidades e sopros
extrato grosso e raso e entre
tensionado de calor e noites
entre mantos entre
caldos e milassaltos de viscosidade e cuspe
entretantos e ninguéns
me escoro sobre panelas e ebulições
pacotes coloridos, comidas instantâneas
e num canto qualquer em que escapa o eu-objeto
observo nos vãos que o macarrão barato esconde
a água se consumindo e se condensando
ponto pré-bigue-benguiano
concentrado, pleno, prenho
espaço de esquecimento por onde vagam bolhas insandecidas
águanautas buscando um não sei o quê
entre choques e explosões, navegando em
água que vira água quanto menos água houver
e eu cá de dentro
vejo meu corpo faminto
evaporando-se
sumindo o corpo do corpo
tornando à condição inicial de ser mais
quanto menos
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