abre-se uma boca do chão
e no fundo de uma fossa
séptica
os homens comungam
lírios coloridos
aparições
vaga-lumes cegos
fechaduras prenhas de réstias
e ali mesmo inauguram uma espécie de comércio
ancestral
vendem olhos e frescores
cores de sol e pólvora
vendem peles de azul
arranjos matemáticos
novas composições pro alfabeto
ou
emprestam atalhos para
o ventre da terra preta
da lama
na cama de merda que
ilumina
na extrato fera que
espreita e saliva entre silêncios guardados
/ no vão dos ouvidos
prometem terras e carneiros
banquetes de seios rosas e úteros
e vaginas molhadas feito terra
ardendo feito estrelas
no justo escambo por
verbos virgens
palavras verdes
argila tão mole quanto as paredes decoradas
de insetos negros e escorregadios
em que se apoiam com prazer e medo
mas os bueiros são entupidos
não escapam
os bueiros também rejeitam promessas
os bueiros também rejeitam plutônios
os bueiros também rejeitam palavras
e na dobra das ruas
as línguas do chão desafiam
desafinam
e o comércio é interrompido pelo sinal do intervalo
por tambores sinos gongos
latidos de cachorro na madrugada
explosões nucleares no globo
pelo cadeado enferrujado
pelos pais adoecendo
pelos terroristas árabes
pela hidrofobia dos vizinhos
pelos toques da mulher amada
da mulher sem nome
que os consome
e veste
e calça
que homem não nasceu pra fungo
nem água
é coisa sem ponteiro ou entrada
é como o vento
é como um beijo
ou como o
nada?
O senhor é um belo de um filho da puta.
ResponderExcluirObrigado mais um vez!