nada além de asas
se movimenta no azul opaco
encruado nas vestes do Rio de Janeiro
que em dias de sóis escondidos entre
prédios
velas
árvores imóveis,
dias de ventos
cansados e escorregadios
e especialmente
dias de domingo sem festa
sai pra verificar a ordenação das coisas
por um segundo cala-se
a boca do mundo
por um momento e pra sempre
carrega-se o ventre da mudez,
ancestral totêmico dos surdos
e dos catadores de latões e peneiras
e pentes gastos, garfos, goteiras,
e fendas e fugas, fogueiras,
percorrente anterior de terras nuas
e línguas pardacentas
deito meu corpo que se acama de
cabelos presenteados por cabeças que adivinho
pela pratica de aprender tamanhos e lisuras
e tamanheço e lisuro e desconheço
os desenho da fumaça
a fumaça que imoldável
foge da concretude do meu cigarro
e deixa cinzas desmanchadas no parapeito da minha janela do nono andar
cinzas brancas
cinzas pretas
cinzassinzas,
mas
ainda e porém e sempre
únicas além das asas
a negar a deslizura
desse fim de astro
ondulado no vestido da cidadessilêncio
sobrevoando o mosto fermentado
dos sonhos fluminenses
Nenhum comentário:
Postar um comentário