terça-feira, 14 de agosto de 2012
A Euclides
É doce morrer no mar. Engolfado por um turbilhão de algas, massas frias e segredos. "Socorram o mundo que ele afoga". O corpo vem três vezes à superfície e verseja repentes novos. "Minha gente. Vou morar. No colo de Iemanjá." Mergulhado no infinito o sujeito costeia o tempo. Zomba de Shakespeare e da filosofia. O sujeito é e não é. O afogado afunda o mundo pra fora, desaguado em tsunamis. Aos animais serve de jardineiro. Pro mar é o demiurgo que se repete, acolhido com doce simplicidade. Aos homens se vale de alimento e carvão. Habita todas as rodas de cachaça, as noites vestidas de estrelas, o compasso grave nas margens dos barcos. Quem se muda pras águas verdes é eterno. Quem morre no mar, mais que o resto, vira verso.
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