Jantávamos os quatro. Meu irmão, muda solidez, sorriso de goiabada. Eu, jardim suspenso, adormecido ao som da madeira, ao cheiro do sol queimando o horizonte. A cadela volteava entre as cadeiras, edificava as horas, a bocarra cheia de tempo. A cadela sabia. Veio me lamber os olhos e o céu da boca. Fez-me festa nas orelhas. Abanei o rabo, gentil compreensão.
O pombo brincava de gato e me roçava as asas. Taquei-lhe um enigma. Curvou o pescoço, gratidão de passarinho. Bicou, mastigou, umedeceu, cuspiu. Abri a boca, dava-me o que comer.
Do dia ainda vivo nasceram pernas minhas. Retirei-me. Não sem antes agradecer, braços abertos, a azul cumplicidade disposta na mesa.
Caminhei pelos retratos, marchas de elefante. Botei os olhos de molho, lavei as costuras das mãos, torci o pulmão. Pintei as paredes da casa a golpes de facão. Interiores. Cobri as portas de limpa cor sabão de coco. Como se o resto não mais fosse. Mas lá fora chovia.
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