Acordo em uma cama de casal, imenso tatame onde caberia o mundo. Tenho a sorte rara de ser inaugurado por línguas de amor sincero. A vida abre as pernas, ajeita a anca e convida. Há de se evitar o desespero em se brotar pra dentro. Afinal, que fim leva quem nasce ao revés?
Me atravessa o oceano
Animal descalço e breve
Por canos e escapamentos
Me inunda de dentro pra fora
Eu derramado em mim
Derrubo penhascos
Me acoberto de vento
Descortino frutos
Transito entre flechas e apontadores
Mas da ponta aguda da minha língua
Não me traduzo
Senão estouro
Nenhum comentário:
Postar um comentário